O QUE O  PRATICANTE DE YOGA DEVE SABER

1-   Como escolher o local e o professor de yoga

2-  Como escolher a escola para se formar como professor

1. Primeiro comece por perceber o que é o yoga. Este não é apenas uma prática física. Consulte alguns livros no início. A sua prática engloba diferentes técnicas. Segundo Georg Feuerstein (a tradição do yoga) existem pelo menos 20 tipos diferentes de yoga. È possível efectuar uma aula inteira de yoga sem sair da cadeira, por exemplo praticando as respirações ou mantras específicos. O yoga é uma filosofia de vida e na sua prática pode incluir actividades para o corpo, que nos proporcionam flexibilidade, equilíbrio, manutenção da saúde e gestão da doença. O yoga é um caminho essencialmente prático que nos conduz a um estado elevado de consciência (super consciência ou Samadhi). Questione-se sobre o seu objectivo com a prática de yoga. Isto ajuda a decidir qual o estilo de yoga mais adequado ao seu corpo e mente. A maior parte das aulas tem uma duração de 1h ou 1,5h e engloba diferentes técnicas.

O PROFESSOR(A) –  De seguida os praticantes devem procurar um bom professor. È uma pesquisa que pode demorar algum tempo pois existem diferentes professores para diferentes tipos de yoga. Primeiro decida qual o tipo de yoga mais indicado para si e depois peça para efectuar uma aula experimental (normalmente com os melhores professores a 1ª aula é grátis). Fale com o professor ou professora e pergunte-lhe onde efectuou a formação (nos dias de hoje ser formado na Índia não significa necessariamente que a formação seja melhor. Há boas escolas na Europa e nos Estados Unidos).

Verifique se essa escola realmente existe (há diplomas via internet nos dias que correm). Deverá praticar com pelo menos 3 a 4 professores diferentes, preferencialmente de escolas diferentes. Fuja dos fundamentalistas e daqueles que lhe dizem ensinar o melhor yoga, pois isso não existe! Igualmente não se deixe impressionar se o professor pertence a esta ou aquela escola, a esta ou aquela associação. Isso é conversa, o que interessa é a prática. Um bom professor não deve ser a “estrela da aula”. Todos são iguais, sendo diferentes!  Observe o tom de voz e o decorrer da aula, fale com os colegas no final da aula. O professor(a) não deverá ser um “fala barato” nem um animador cultural, mas também não deve “entrar mudo e sair calado”. Suspeite de fanatismos quando lhe impingirem logo na 1ºaula determinadas regras, do género “o seu professor é o seu mestre espiritual”, “aqui ensinamos o yoga primordial” ou “aqui seguimos a linhagem tal e tal que é a original”. Isto é conversa para os principiantes, para captar novos alunos. Um bom professor não tem medo da concorrência pois sabe que são os alunos que o escolhem e não ele(a) a escolher os alunos. Seriedade, honestidade e prática constante e deontologia (dever ser) devem ser atributos de um bom professor. Como em tudo a experiência e o número de anos de prática são muito importantes. Pergunte se ele ou ela faz formação habitualmente. Como em todas as profissões reciclar conhecimentos é crucial. Fazer um curso de yoga há 5 anos pode não ser suficiente.

Um licenciado em educação física pode não perceber nada de meditação ou de mantras. Não existem habilitações académicas específicas para ser professor de yoga. O que conta é o domínio das técnicas ensinadas, o saber explicar e o saber corrigir e a formação efectuada. Normalmente os professores inexperientes ou com formação inadequada limitam-se a ensinar asanas, pois pouco mais sabem. Normalmente os noviços optam em função do preço. Nada mais errado! Os melhores professores costumam cobrar mais caro, pois já investiram mais na sua formação pessoal, efectuam retiros periódicos e viajam frequentemente para praticar yoga em diversos locais. Lembre-se que a função de um professor é ensinar, e não praticar alegremente ao mesmo tempo que os alunos. Quem os irá corrigir? No inicio faça perguntas difíceis, seja exigente. Um bom professor não tem de pretender saber tudo do yoga. Mas depois aceite a autoridade e a direcção da aula por parte do professor e efectue as técnicas propostas. Um bom professor deve ser simples e humilde, falar numa linguagem clara. Nada de mais errado do que falar só para elites. Não existem eleitos no yoga. O yoga existe há mais de cinco mil anos e é para todos (excepto se tiver alguma contra indicação física ou mental). Um professor de yoga não adiciona outras técnicas ao yoga, já existem muitas técnicas no yoga para aprofundar. Inserir Reiki, chi-kung, tai-chi (com o devido respeito por estas técnicas) no meio de uma aula de yoga é sinal de que se sabe pouco. Um bom professor de yoga ensina exclusivamente….yoga. Já existem bons profissionais destas praticas ancestrais.

O LOCAL DE PRÁTICA – Luz, cheiros, aspecto geral, acessibilidades, horários existentes, insectos, temperatura, material disponível como tapetes e almofadas , incluindo biblioteca para consulta dos alunos são factores preponderantes na escolha do local. Comece por verificar se o chão é adequado à prática. Mesmo utilizando tapetes de yoga há tipos de pavimento que são inadequados á prática, por serem escorregadios ou frios ou inestéticos. Imagine um chão de tijoleira vermelho escuro ou que no relaxamento a luz lhe bate directamente nos olhos. Como se sentiria nesse ambiente? Também não é pelo facto de haver incenso a queimar e imagens penduradas na parede que a “energia” do local é mais pura. A verdadeira pureza e equilíbrio vem do coração de quem lá está, ou seja, vem de dentro. Analise e escute o que a intuição lhe diz. Sinta o local da prática. Isto é fácil. Nos ginásios existem bons professores e boas salas, nada contra, mas imagine que na sala houve previamente uma aula de fitness ou de dança. Como estará o “ambiente” da sala”? Opte por salas de prática dedicadas exclusivamente ao yoga. Isto poderá ser difícil de encontrar no local onde reside. Verifique se é uma academia, um ginásio, uma sala em que dá para massagens ou terapias (nada contra) e que actividades conexas ao yoga existem. Há aulas de meditação, workshops de temas de yoga? Cursos de filosofia do yoga? Então está no local certo para uma aprendizagem séria e credível. Nada melhor do que um local dedicado. Perto do local de prática não tem transportes públicos? Tenha isso em conta na decisão final.

Clique aqui para ver as fotos da nossa academia de Yoga.

RESULTADOS – com a pratica de yoga algo vai mudar na sua vida, para melhor. Acontece também, e por vezes haverem lesões, mas esta é uma situação anormal, especialmente se o professor for bom e se o aluno praticar o que é dito. Muitas vezes o praticante (ou o professor) têm tendência a “puxar”. Isto é errado. Nas escrituras do yoga clássico diz-se que o asana deve ser uma postura firme e confortável pelo que o praticante deve reduzir o esforço necessário na permanência. Sobre este tema veja outro artigo publicado neste site. Se o praticante efectuar uma prática regular (2 a 3 vezes por semana) ao fim de alguns meses vai sentir uma alteração substancial na sua flexibilidade, condição física, paz mental e equilíbrio das emoções. Se não conseguir isto opte por praticar todos os dias para os resultados serem mais rápidos. Como em tudo na vida, quanto mais prática mais domínio sobre o facto ou a situação. Obtenha um caderno e escreva os seus objectivos com a prática do yoga. Ao fim de 6 a 12 meses observe se está mais perto de os alcançar. Arranje objectivos credíveis e realizáveis. Não peça algo como “curar-me em 6 meses”, “tornar-me zen em 12 meses”, “fazer o pino em 4 meses”. Lembre-se que tudo o que tenha em mente é possível, mas depende exclusivamente de si e da intensidade da sua pratica. Nada de valor é obtido sem um esforço pessoal. Não desista só porque “aparentemente” nada mudou. Pergunte a um familiar ou amigo(a) se o acha diferente. Por vezes temos dificuldades em efectuar uma auto analise séria sem exagerar (para mais ou para menos). O caminho do yoga é um caminho de persistência e dedicação e cada praticante sente a realidade de forma variada.

2. Antes de escolher uma escola para efectuar a sua formação deverá observar vários aspectos e regras importantes, tais como:

a)    A organização – verifique se a academia ou a escola são legais, registradas no diário da republica, qual o objectivo social, há quanto tempo existe e em que local funciona. Visite as instalações antes de efectuar a inscrição e peça para falar com os responsáveis. Fazem voluntariado na instituição ou apenas se preocupam em angariar alunos? Nas melhores escolas de formação os formandos efectuam um estágio prático, durante ou após o curso. Não é assim com os médicos ou os advogados e outras profissões?

b)    Instalações – veja se são apropriadas para um ambiente de formação, se oferece aulas regulares, ou se é uma cave sem luz natural e com barulhos frequentes. O critério aqui é semelhante ao que a cima foi dito.

c)    Matérias ensinadas e estrutura do curso – Peça um sumário das matérias que vai estudar, um programa curricular do curso. Estranhe quando lhe ensinam muita coisa em pouco tempo (por exemplo, 7 ou 8 tipos de yoga), pois vai acabar por não aprender nada tal é a superficialidade do ensino. È melhor aprender pouco e alcançar o domínio das técnicas ensinadas do que saber muito “no papel” ou nunca ter praticado o que se aprende. Estranhe se lhe ensinarem algo que não possa ser praticado. O yoga é 99% prático! Qual o nº de horas de formação do curso? O critério internacional é de 200 e 500 horas, sendo as duzentas horas o mínimo para formar instrutores de yoga. Estranhe de cursos baratos com 50 ou 80 horas de formação. Essas horas devem ser de contacto e não de trabalho on-line ou ver vídeos. Fazem parte do curriculum de um professor de yoga o estudo da anatomia humana e subtil, da filosofia do yoga e técnicas e praticas de yoga, como ensinar e como corrigir.

d)    Número de professores e seus CVsNunca participe num curso de professores de yoga onde participam apenas 1 ou 2 formadores. Por muito bom que seja o professor ou professora não é possível deter um domínio total de três ou quatro cadeiras que podem compor um curso. Cada formador deve ensinar uma só matéria ou cadeira. Faz sentido? Peça informações sobre as suas experiências e quem são os formadores. Verifique se têm licença de formador válida (CAP) ou se são professores de formação base (pois têm estágio pedagógico obrigatório).

e)    Acharya – Num curso de professores de yoga um dos formadores deve ser um Yoga Acharya (Mestre em yoga). Um mestre em yoga aprendeu e recebeu iniciação por outro mestre de yoga (tradição guru paramparam) pois assim é o ensino no yoga. Um mestre de yoga domina as técnicas que ensina (nível técnico) e não se forma em poucos anos. Existem mestres em direito, em economia, e outros tipos de mestres nas suas profissões.

f)     Número de alunos a frequentar o curso – peça uma listagem ou pergunte quantos alunos já frequentaram ou frequentam presentemente o curso onde pretende a inscrição. Se a turma tem meia dúzia de alunos não avance nessa escola pois vai perder tempo.

g)    Forma de inscrição e preço. Qualidade versus preço – questione o processo de inscrição, nunca fique com dúvidas. Como nas universidades é possível pedirem-lhe um pagamento adiantado de algumas mensalidades, mas nunca a totalidade do curso. Compare o preço praticado com a credibilidade da instituição e a qualidade do curso (professores, espaço da formação, estrutura do curso, horas de formação).

10 pontos que deves saber antes do curso começar!

Boas práticas e boas escolhas!!!